Marcos Fumagalli criou um tópico no
Fórum
para que os usuário pudessem enviar suas perguntas ao grande baterista
Renato Siqueira. O resultado deste trabalho você confere abaixo:
Site Batera: Renato, quais são suas influências? Todos metaleiros tipo George Kollias, com a pegada e velocidade absurda nos pedais?
Renato Siqueira: Por incrível que pareça, eu não
me considero um “baterista de metal”, apesar de atualmente tocar apenas
em uma banda de metal. Mas eu sempre toquei vários estilos musicas, e
já fiz gravação de tudo que é possível imaginar! Eu não me sinto
influenciado por este tipo de baterista, apesar de admirá-los, pois eu
não busco velocidade, eu busco criatividade. Carter Beauford, Mike
Portnoy, Carlos Balla, Neil Peart, Maurício Leite, Serginho Herval,
Pascoal Meireles, Justin Foley, Benny Greb, Alexandre Cunha, Mike
Bordin.... estes caras me influenciam muito mais que os “super bateras
de metal”.
Site Batera: Você começou a tocar bateria por causa de quem?
Renato Siqueira: Eu cresci em um ambiente muito
musical, pois meu pai sempre ouviu muita música boa! E apesar de ele
não ser músico, ele sempre toucou violão em casa, então, naturalmente
sempre quis tocar algum instrumento. Eu já tinha vontade de tocar
bateria, brincava montando kits de almofadas e imitando os vídeos de
shows que tinha em casa, mas em 1994, num show do Aerosmith no Brasil,
após um solo do Joey Kramer, decidi que queria fazer aquilo da minha
vida. E desde então, nunca mais parei.
Site Batera: Qual foi seu primeiro endorsee e como aconteceu?
Renato Siqueira: Era uma empresa que fabricava
réplicas de baquetas, e entrou em contato comigo pra ver a
possibilidade de fazermos algum trabalho juntos. Então eu desenvolvi meu
modelo próprio, recebi uns 30 pares, e um tempinho depois, a empresa
desistiu do ramo musical. Era no nordeste a fábrica, mas eu nem lembro o
nome. Fazem mais de 10 anos.
Site Batera: Como e quando você decidiu que seguiria a vida de músico, mesmo com as dificuldades que a profissão encontra no Brasil?
Renato Siqueira: Quando queremos ser bem sucedidos
profissionalmente, sempre existem dificuldades, não importa o ramo que
você atue. Claro que, o fato de lidar com arte e cultura em um país
como o nosso é um agravante, e eu sempre estive muito ciente destas
dificuldades, mas nunca me abalei por isso. Acho que todo trabalho bem
feito, honesto, feito com coração, cedo ou tarde, terá reconhecimento.
Lá em 1994, quando decidi que queria fazer isso profissionalmente, me
preparei todos os dias da minha vida pra isto!
Site Batera: Já fez shows fora do país? Como foi a sensação de "viajar para tocar"?
Renato Siqueira: Infelizmente nunca sai do Brasil
para tocar, apesar de várias “quase” oportunidades, mas é algo que deve
acontecer naturalmente. Já me sinto realizado de poder viajar pelo
Brasil mostrando meu trabalho.
Site Batera: Como começou os contatos e o início da construção do Air Control System da Odery?
Renato Siqueira: Começou com um email para o
Maurício Odery, no dia 03/04/2003, às 12h22min (tenho todos os emails
impressos e arquivados), onde fiz uma sugestão de uma caixa ventilada,
onde fosse possível controlar a sua saída de ar. Eu já usava caixas da
Odery desde 1999, e sempre fui fã da marca, então, naturalmente, só a
Odery poderia realizar esta minha loucura. E então, em setembro daquele
mesmo ano, lá estava eu, pela 1ª vez em SP, vendo o lançamento da
caixa na Expomusic.
Site Batera: Conte-nos um pouco de sua história antes de ter/tocar batera
Renato Siqueira: Antes de tocar bateria eu era um
cara normal (não que hoje não seja), estudava, jogava futebol, e como
toda criança, queria ser jogador de futebol, e cheguei a jogar em
alguns clubes pequenos, mas nada profissional. Como me interessei muito
cedo pela música, meu foco sempre foi ser um baterista profissional.
Site Batera: Você possui alguma meta / sonho como batera?
Renato Siqueira: Meu sonho eu realizo diariamente!
Eu me sinto privilegiado de poder fazer música, de ter tantas empresas
que me apóiam, de poder tocar com os melhores parceiros de banda que
poderia ter!Eu sonho em ser bem sucedido, ter uma carreira
internacional, fazer shows e workshops em todos os lugares do mundo,
gravar com muitos artistas diferentes, etc. mas eu dou um passo de cada
vez, com muita calma, responsabilidade e humildade.
Site Batera: Como você se aquece?
Renato Siqueira: Eu me aqueço com alongamentos de
pernas, braços, costas e pescoço, e faço toques simples, duplos,
rudimentos, com as mãos e os pés. Em média uns 30 minutos antes de
tocar. No verão este tempo pode ser menor, e no inverno, maior. O
importante é estar relaxado para agüentar horas de gravação ou a
intensidade de um show da It’s All Red.
Site Batera: Fale um pouco sobre o seu set.
Renato Siqueira: Meu set é muito vasto, como todos
sabem. E por incrível que pareça, eu estou sempre procurando espaço
para acrescentar alguma coisa. Eu poderia tocar com 4 tambores e 4
pratos, mas eu gosto de ter inúmeras possibilidades no meu set, é um
desafio inconsciente tentar compor músicas sem muitas repetições, e ter
um set grande me ajuda nesta hora.
Atualmente uso uma bateria ODERY Custom (8”x7”, 10”x8”, 12”x8”,
13”x11”, 16”x16”, 18”x16”, 22” x18” e duas caixas ACS, 14”x6½” em Solid
Block e 14”x5½”), peles EVANS (EC2 SST / Uno G1 nos tambores, Emad
clear / EQ3 no bumbo, EC Snare / Orchestral na caixa em Solid Block e
Reverse Dot / Hazy 300 na outra caixa), esteiras PURESOUND (modelos
Equalizer e Blaster na Solid Block), pratos MEINL (8” Classics bell, 8”
Classics splash, 10” MB10 splash, 8”/10” Generation X electro stack,
13” Byzance fast hats, 14” Byzance médium hats, 14” Classics china, 15”
Generation X china crash, 16” Byzance china, 17” e 18” Byzance mediun
thin crash, 18” Byzance mediun crash, 18” Classics thin crash, 18” MB20
rock china e 20” MB10 bell blaster ride), uso um rack BMA de 4 lados,
pedal duplo AXIS modelo AL2-CB, tênis URBAN BOARDS modelo Dennis
Chambers, cases HELLOCASES, capas TETO-PRETO, estou usando um protótipo
de baquetas LIVERPOOL que serão meu modelo Signature, ela terá 420 mm
de comprimento x 15 mm de espessura. Também tenho apoio da loja BATERA
STORE.
Site Batera: Como foi o início da sua carreira?
Renato Siqueira: No começo eu não tinha pratos,
até que meu irmão gêmeo (Rafael Siqueira, guitarrista da It’s All Red e
produtor musical) comprou um set de pratos Meinl Meteor usados pra que
a gente pudesse ir pra estúdio tocar covers de Metallica, Sepultura,
Pantera e outras bandas que gostávamos na época. Fizemos alguns shows e
pouco tempo depois fiz um teste para tocar na banda Malediction, que
era bem conhecida na época. O teste era tocar as músicas War Ensemble do
Slayer e Troops Of Doom do Sepultura. Na mesma hora fui admitido na
banda e fizemos muitos shows, gravei duas demos e um CD com eles, até
que em 1999, a banda acabou.
Site Batera: Como você usa aqueles crashes tão finos e eles duram tanto tempo sem amassar/rachar?
Renato Siqueira: Quando eu comecei a tocar, usava
baquetas 2B, anos depois, passei para 5B, depois 5ª e depois, por
muitos anos, usei o modelo POP da Liverpool (que é menor que uma 5A).
Agora, meu modelo Signature da Liverpool é um meio termo entre uma 5A e
uma 5B, ou seja, é uma baqueta versátil, e não muito pesada. Existem
maneiras de golpear o prato de forma que ele não rache. Felizmente
rachei pouquíssimos pratos em minha carreira, isso acontecia com mais
freqüência quando usava pratos nacionais.
Site Batera: Por que sempre tem um B8 no seu kit?
Renato Siqueira: Sempre fui apaixonado por pratos,
e o que mais me importa é a sua sonoridade, não o material de que são
fabricados. O B8 possui uma sonoridade mais aguda e “ardida” do que o
B20, e eu gosto de ter esta possibilidade sonora disponível no meu set.
Site Batera: Você desde o começo sempre pensou em ser baterista de metal? Ou já faz gigs dentro de outros estilos?
Renato Siqueira: Eu sempre ouvi metal, mas também
sempre ouvi muitos estilos diferentes. Paralelamente às minhas bandas
de metal, sempre toquei pop, rock, MPB. Já fiz show de reggae, de
forró, de MPB, de rock, de covers, e já fiz gravações dos mais variados
estilos musicais, até de trilha sonora para teatro infantil!
Site Batera: Você só toca bateria? Ou começou tocando outro instrumento até chegar nela?
Renato Siqueira: Toco só bateria, brinco na
percussão, e pego um violão ou guitarra e sei tocar umas 5 notas, no
máximo (risos)! Gosto de brincar com melodias no piano também, mas não
sou muito bom não.
Site Batera: Como é seu treino de batera e como foi o antes e o depois dos contratos para endorsee?
Renato Siqueira: Eu pratico bastante em pad, tento
focar nos rudimentos principais, flams, drags, toques simples,
duplos, triplos, quádruplos, e gosto de tocar junto com CDs das minhas
bandas preferidas. Procuro me desafiar, tentando fazer coisas que eu
tenho dificuldade. A diferença de antes e depois dos endorsees, é que a
sua responsabilidade aumenta, pois existe um contrato á ser cumprido,
você passa a representar uma empresa, tem obrigações, as coisas passam a
ser mais profissionais.
Site Batera: Quais foram seus professores?
Renato Siqueira: Nunca tive professores, nunca fui
a uma aula de bateria, nem sei como são aulas de bateria. O que eu
sempre fiz, foi ler muito, tudo que posso sobre bateria, ver muitos
vídeos e ir a todos os workshops que estejam ao meu alcance. Trocar
informações e ter humildade para aprender sempre também é muito
importante. Mas eu pretendo, ainda este ano, estudar com alguns amigos
que são ótimos professores. Existem 3 caras que eu quero muito poder
estudar um pouco: Northon Vanalli, Luke Faro e Carlos Balla.
Site Batera: Você acha que qualquer pessoa que estudar muito toca como você ou tem algum segredo? Dom? Talento?
Renato Siqueira: Acho que todos possuem a mesma
possibilidade. Alguns com mais facilidade em determinadas coisas, mas
todo mundo é capaz. Qualquer um que estudar pode tocar mais que eu ou
qualquer pessoa! Nós que nos impomos limite, o que tocamos é reflexo de
nossa dedicação ao instrumento!
Site Batera: Sei que você já tocou com uma banda
chamada MORALES, aqui de Porto Alegre? Que fim levou a banda? Era uma
banda seria? Sei disso porque eu até já toquei em um festival com você
há muito tempo atrás e você já descia a lenha na batera. Era uma banda
de hardcore"
Renato Siqueira: Acho que era uma banda séria sim,
e até onde eu sei, a banda acabou há alguns anos. Na verdade eu nunca
fui um membro da Morales. Eu sempre fiz gigs com muitas bandas, e eles
me contrataram para tocar na final de um grande festival de música
(isso foi em 2002 ou 2003, não foi?). Acabamos em 1º lugar, e estou até
hoje esperando a premiação (gravação de CD, telefone celular e viagem
para o Nordeste)!
Site Batera: Você vive somente de música mesmo?
Renato Siqueira: Não, eu não vivo somente de
música. Sou gerente administrativo em uma empresa em horário comercial,
e além de baterista, faço muitas outras atividades ligadas à música,
como prestar consultoria para importadoras, fábricas, lojas, faço
workshops, gravações, shows como sideman, etc... É muito difícil viver
de música como músico independente, e manter um padrão de vida e de
investimento no seu trabalho (quem tem banda independente sabe o quanto
isso é caro). Eu me organizo de forma que, tudo que eu ganho com a
música, seja revertido para minha carreira como músico. Com fotografia,
vídeo, equipamentos, gravações, aprimoramento e tudo o mais.
Site Batera: Qual empresa foi mais " amiga" quando
te patrocinou, te deixou totalmente livre pra escolher os produtos e
qual (quais) empresa você sonha acordado em ser patrocinado!
Renato Siqueira: Felizmente, todas as empresas que
trabalho são 100% amigas e parceiras! Me apóiam sempre, até quando
estou com algum problema particular, elas me ajudam, ligam pra saber
como eu estou, mostram que é uma relação muito mais do que comercial!
Em todas elas eu sou livre pra escolher o que irei usar, e é por
isso que existe a parceria, pois ela é recíproca e sincera. Eu só uso
produtos que eu realmente usaria, mesmo sem ser endorsee.
Eu nunca sonhei em ter determinado patrocínio, acho que quando um
músico toca apenas pensando nisso, a música é deixada de lado. O
patrocínio é uma conseqüência de um trabalho bem feito!
Site Batera: Quantos anos de carreira profissional?
Renato Siqueira: Considero que em 1995, quando
passei q receber cachê para fazer shows e fiz minhas primeiras
gravações, seja o começo da minha carreira profissional. Portanto, em
abril de 2011, farei 16 anos!
Site Batera: O salário de musico profissional é suficiente pra te deixar motivado em morrer sendo musico profissional?
Renato Siqueira: Acho que o dinheiro não é o que
move um músico (ou artista em geral)! Qualquer pessoa que pensasse
friamente iria estudar e fazer um concurso federal, ter uma vida
estabilizada. Mas a música tem todo o amor envolvido, e isso vale muito
mais do que dinheiro! Apesar de encarar a música profissionalmente, e
por isso, cobro para fazer meu trabalho, como um profissional de
qualquer área.
Site Batera: Como funciona seu método de
composição das linhas de bateria? Você cria os grooves e sugere ao
restante da banda, ou cria a partir da guitarra, por exemplo?
Renato Siqueira: Não existe uma regra. Algumas
vezes eu tenho idéias e crio levadas mentalmente, chego ao estúdio e
as executo (geralmente é preciso estudar um pouco pra fazer soá-las
da maneira como imaginei). Então mostro pro pessoal da banda e as
músicas nascem a partir daí. Na maioria das vezes o Luis (guitarrista
da It’s All Red) me apresenta riffs que ele criou junto com o Rafael
Mallmann (baixista da It’s All Red) e com o meu irmão, e então eu
componho algo em cima. Também acontece de eles programarem a idéia de
levadas e eu criar algo a partir da visão deles.
Site Batera: Sua família te apoiou quando começou a tocar ou foi contra?
Renato Siqueira: No começo, no meu primeiro show,
eu tinha menos de 15 anos, e minha mãe não queria que eu fosse fazer o
show (que era à tarde, num salão paroquial!), até que a convenci que
seria apenas este show e nunca mais iria tocar. Depois do show, meus
pais estavam na platéia bem orgulhosos. Desde então, apesar de não
contar com apoio financeiro, sempre me apoiaram nas minhas decisões, e
sou eternamente grato a eles pela minha criação, pelo meu caráter e
pelos exemplos que sempre tive em casa.
Site Batera: Quais suas maiores virtudes e maiores defeitos?
Renato Siqueira: Acho que meu maior defeito é ser perfeccionista e exigente comigo mesmo! Minha maior virtude é determinação, sem dúvida.
Site Batera: Como você se vê daqui a 5 anos?
Renato Siqueira: Eu me vejo como um músico melhor,
mais maduro, com uma discografia ainda maior com a It’s All Red e com
muito mais bagagem. Espero estar vivendo exclusivamente de música até
lá.
Site Batera: Já fez faculdade? De que?
Renato Siqueira: Entrei na faculdade de Ciências
Contábeis, fiz uns 5 semestres e tranquei por falta de tempo, a música
ocupa bastante tempo na minha vida e eu não posso abrir mão de tudo que
estou realizando na minha vida. Mas ainda pretendo terminar um curso
superior.
Site Batera: Já teve alguma vez que ficou bastante tempo sem toca bateria? Por quanto tempo?
Renato Siqueira: Em 1999, eu fiquei quase 3 meses
sem tocar, pois estava sem banda, e não apareciam trabalhos, e eu
estava desanimado. Foi o Luis Volkweis que me ligou e me convidou pra
montar uma banda só pra se divertir, tocando covers de Live e reacendeu
a música na minha vida. Este ano fiquei um mês (casualmente, este mês)
sem tocar em decorrência de uma cirurgia, mas já estou voltando ao
ritmo normal.
Site Batera: Um momento divisor de águas na sua carreira?
Renato Siqueira: Na verdade, existem dois momentos
muito marcantes na minha carreira! Um foi quando fui pra São Paulo pela
primeira vez, em 2003, para o lançamento de uma caixa da Odery
inventada por mim, ali eu percebi que as coisas estavam tomando
proporções maiores!
E a outra foi quando eu perdi um set up de bateria em um incêndio.
Eu tinha feito uma gravação em um estúdio, e no outro dia tinha show,
então deixei parte da bateria (3 tons, um surdo e um bumbo) no estúdio, e
nesta madrugada, ele pegou fogo. Houve uma campanha de amigos,
familiares, empresas que me apoiavam na época e todo o pessoal deste
fórum, uma mobilização de proporções inacreditáveis, que permitiu que
eu tivesse todo meu equipamento reposto, e isso me deu ainda mais gana
de seguir adiante na música! Sou eternamente grato à todas pessoas que
me ajudaram, a maioria, eu sequer conheço pessoalmente!
Site Batera: Qual foi a coisa mais doida que já te aconteceu?
Renato Siqueira: Ano passado, houve uma enquete,
para ver qual banda ga úcha devia abrir o show do Faith No More. Mas
era uma enquete de um blog, não era nada oficial, e a minha antiga
banda (Véspera) foi eleita, e acabamos ironizando isso abrindo um show
do Faith no more Cover (que eu era o baterista). E então, uma bela
noite o baixista da minha banda me fala: entra no blog e leia o que
está escrito. E então foi noticiado que a Véspera iria abrir o show do
Faith No More, com a escolha sendo feita pela própria banda! Foi uma
sensação muito boa, e todo o show e os acontecimentos que se
desencadearam depois disso foram ótimos! Com a It’s All Red vencemos a
eleição oficial para abrir o show do Metallica, mas por algum motivo
que desconhecemos, outra banda acabou sendo chamada.
Site Batera: Você sofre algum tipo de preconceito por tocar esse tipo de música no Brasil?
Renato Siqueira: Felizmente, isso não é tão comum
hoje em dia. Sou respeitado pelo trabalho que faço e não me sinto
melhor, nem pior, que ninguém. Quando algum baterista de outro estilo
se acha melhor por tocar determinado estilo, eu não me afeto. Sei das
minhas limitações, e sei das minhas qualidades. Não teria receio de
tocar ao lado de nenhum baterista do mundo, nem dos maiores mestres da
história.
Site Batera: Em que projetos/bandas você faz parte nesse momento?
Renato Siqueira: Atualmente eu sou exclusivamente
baterista da It’s All Red, mas sigo fazendo gravações com várias bandas
e eventualmente, shows como músico contratado.
Site Batera: Quantas horas você estuda por dia/semana?
Renato Siqueira: Não sou muito estudioso. Eu tento
todos os dias tocar um pouquinho, pelo menos no pad. Mas o normal é eu
tocar entre 6 e 10 horas na bateria por semana, e todos os dias no pad.
Às vezes a rotina de shows não permite uma rotina de prática, e quando
eu chego em casa, eu só quero descansar e curtir o momento de folga
com minha namorada.
Site Batera: Qual seu prato predileto?
Renato Siqueira: Eu adoro comer boa comida.
Difícil escolher um só prato, mas acho que o clássico, arroz, feijão,
bife e saladas é o que mais me satisfaz. Mas eu gosto de quase tudo, e
sou um ávido devorador de doces!
Site Batera: Você costuma pegar grooves emprestados dos seus ídolos quando está compondo?
Renato Siqueira: Claro que sim! Não os toco
exatamente da mesma maneira, mas me inspiro em muitos bateras sempre.
Mas me preocupo muito em manter minha identidade quando toco.
Site Batera: Renato, fale um pouco sobre a cena “baterística” do sul do Brasil, mais especificamente Porto Alegre.
Renato Siqueira: Acho que o sul é um celeiro de
ótimos bateristas. Eu conheço um incontável nº de ótimos bateristas, de
todos os estilos possíveis. O nível é cada vez mais alto, e eu sinto
que hoje em dia, existe muito mais cooperativismo, do que
competitividade. Eu sinto isso em todos os amigos e colegas de
profissão. Sinto-me orgulhoso de poder dizer que nunca passei por cima
de ninguém pra chegar aonde eu cheguei. Mas sempre existem pessoas
invejosas, que criticam e falam mal, apenas por não ter conseguido
chegar ao seu nível, mas este tipo de gente, apenas me estimulam a ser
um músico ainda melhor!
Site Batera: O que é "Ser um Baterista bem Sucedido" pra você?
Renato Siqueira: Ser bem sucedido é fazer o seu
trabalho e poder viver dignamente com isso. Mas isso é algo muito
pessoal. Eu, por exemplo, invisto em música autoral, pelo simples fato
de que não quero me “acomodar” e tocar cover na noite pra ganhar a vida.
Mas
EU penso assim, e não vejo nada de errado em tocar covers
(eu mesmo já fiz isso muitas vezes). Mas eu ainda sou um “romântico”
que sonha em viver da sua própria música, por mais difícil que isso
pareça.
Site Batera: Quais os seus planos para os próximos meses?
Renato Siqueira: Eu pretendo gravar vídeos executando as músicas do novo CD da It’s All Red (baixe gratuitamente em
www.itsallred.com),
e futuramente, gravar um DVD. Seguimos na divulgação deste novo álbum e
já começaremos a trabalhar em cima de algumas idéias novas que temos
na cabeça.
Também irei gravar algumas músicas com outras bandas, nos próximos
meses, como músico contratado.
A Véspera irá lançar o CD nos próximos meses, e apesar de eu não
mais fazer parte da banda, gravei todas as baterias e o clipe, que já
está rodando na MTV.
Veja também:
It's All Red - All Is Full Of Red - Drum sessions
http://www.youtube.com/watch?v=uuQBY5ft0pM&feature=related
Conteudo retirado do site: http://www.batera.com.br